03/09/2008
Minha vida é um cabide abarrotado de lembranças.
Cada pessoa que passou por ela
Pendurou alguma coisa nele.
Desde sempre carrego esse peso
Que às vezes me sufoca.
Não sei se me livrando do cabide
Vou fazer com que elas vão embora.
Nem sei se quero que elas vão embora.
Algumas são tão leves
Extremamente doces e queridas.
Guardam imagens amigas
Vozes conhecidas, gestos amorosos
Que já não estão comigo.
Outras conservam marcas
De cicatrizes profundas
Que ainda sangram.
E há gente que ainda insiste
Em colocar mais peças no cabide.
E ele aceita, calado
Contente por ser notado
E achar que tem muita serventia.
Às vezes essas peças se misturam
Sobrepostas num emaranhado
De caras e cores confusas.
Um dia faço uma faxina na memória
E devolvo o cabide ao cabideiro.
Cidinha Baracat