03/09/2008
(Homenagem às centenas de crianças anônimas que cruzam diariamente nossos caminhos)
Eu perdi seu rosto na multidão.
Mas guardei o dardo de fogo
daquele olhar fugaz
que atravessou o vidro do meu carro
e queima ainda meu coração
já quase apagado para os sentimentos.
Eu perdi seus passos na escuridão.
Porém o eco de sua voz
metálica e cortante
como um grito ferido de pavor
Repercute ainda em meus ouvidos
Já quase surdos de tantos ruídos.
Eu perdi seu vulto na noite fria.
Mas seus pés descalços, suas mãos vazias
desenharam marcas em minhas retinas
já quase cegas e insensíveis
às dores fundas do ser humano
e às visões mais cruas do cotidiano.
E sigo em frente, quase indiferente...
Afinal, pondero, nem sei quem é.
Apenas um menino!
Mas seu olhar, sua voz, sua imagem
Marcaram por um momento
Meu caminho, meu destino.
Que talvez nunca mais sejam os mesmos.
Depois de você, MENINO!
Cidinha Baracat