Como nasceu o Centro de Comunicação?
Cidinha Baracat – O sonho existia havia muito tempo. Eu queria um lugar especial, onde crianças, jovens e adultos pudessem entender e amar a Língua Portuguesa, dedicando-se exclusivamente a seu estudo. Queria incentivar neles o gosto pela leitura, como fonte de prazer e conhecimento, tendo, como objetivo maior, uma comunicação mais eficiente e satisfatória. A queda gradual e crescente da qualidade do ensino da língua ministrado na maioria das escolas públicas e em algumas particulares criou o momento propício à sua implantação, que ocorreu em março de 1980.
Quais o propósitos pedagógicos da escola?
Cidinha – Melhorar o desempenho lingüístico do estudante, como produtor e receptor de mensagens orais e escritas; levar o estudante a conhecer outros níveis e registros de fala, principalmente a norma culta; familiarizá-lo com obras das literaturas Brasileira e Portuguesa, valorizando os autores que as engrandeceram; e, acima de tudo, conscientizá-lo de o domínio da língua é um poderoso meio de entender o mundo, a vida, a realidade que nos circunda. Só quem entende o mundo pode agir sobre ele, recriando-o e transformando-o, por meio do desenvolvimento do espírito crítico.
Como abordaria a entrada da escola na era da Internet, com o lançamento do website do CCCB?
Cidinha – Um mundo em constante mutação exige uma marca, um serviço ou produto que passe uma mensagem visível. Estou chegando com bastante atraso a esse que é o maior canal de informação, pesquisa e comunicação. Estar fora da Internet hoje é estar fora do mundo e, conseqüentemente, das possibilidades de contato com aqueles que foram, são ou serão o motivo maior de nossa existência: alunos, amigos, parceiros e colaboradores, com os quais compartilhamos nossas experiências e conquistas.
O trabalho que desempenha tem trazido realização profissional?
Cidinha – Não só profissional, como também pessoal. Sinto-me enriquecida com meu trabalho, faço-o com o maior amor, prazer e alegria. O convívio com os alunos é agradável, harmonioso e gratificante. Com eles rejuvenesço e aprendo, num renovar constante de motivações. O Centro de Comunicação faz parte da minha vida. Nele eu estudo, pesquiso, estabeleço metas, tento alcançá-las, faço novos planos. Ali, enfim, eu me renovo e me multiplico, como professora, educadora, como pessoa, enfim.
Qual a maior ou maiores alegrias que já teve no decorrer de sua vida, como educadora?
Cidinha – Minha vida foi intensa, rica, teve várias fases. Comecei como professora de escola rural, alfabetizei, lecionei no ginásio, no colegial, no cursinho, na Faculdade. Cada experiência me mostrava uma nova realidade e uma nova dimensão de minhas possibilidades. E cada uma me trouxe muitas alegrias. Foram incontáveis esses momentos e não creio que um tenha sido maior ou melhor que o outro. O carinho e o respeito dos alunos, as vitórias que eles obtêm, a certeza de ser útil, tudo isso constitui alegria para mim. Anos e anos de luta na busca dos ideais, superando obstáculos e limitações, enfrentando barreiras e preconceitos, deram-me a certeza de que valeu a pena.
Isso não quer dizer que só tive alegrias. Também conheci frustrações e desencantos, aceitei-os como inerentes à imperfectibilidade humana. No balanço geral, porém, meu saldo positivo é enorme, por isso continuo investindo e mergulhando de cabeça na minha vocação maior.
E os profissionais que atuam ao seu lado?
Cidinha – Ah! É um pessoal incrível! Formamos uma equipe coesa, movida pela mesma crença de que só a educação e a cultura podem funcionar como agentes transformadores da sociedade e formadores de uma consciência crítica. Cultivamos basicamente os mesmos valores, identificamo-nos pela mesma paixão. Há entre nós um elevado espírito de cooperação, apesar da autonomia didática de cada uma (das professoras). Aproveito o ensejo para agradecer, de coração e de público, o apoio irrestrito, a amizade incondicional, a colaboração valiosa de todas. E dizer a todas as que foram ou são professoras do Centro quão importantes elas foram e são para a vida desta escola.
A senhora pode deixar uma mensagem aos jovens de Araçatuba?
Cidinha – Cultivem a saúde física e a mental, a espiritualidade consciente. Não desgastem suas jovens vidas em atividades que possam levá-los ao materialismo, à descrença, à morte. A vida é um dom precioso e inestimável; a inteligência, um privilégio; usem-nas em proveito próprio e alheio. Cabe a vocês ajudar a salvar a humanidade, ou afundá-la no caos. Egoísmo, inveja, rancor, ciúme, pessimismo e ódio são inimigos da vida plena: nada constroem e tudo matam. Ou, parafraseando a “Sociedade dos Poetas Mortos”: ‘É preciso buscar a essência da vida’. Dêem um sentido humano às suas realizações. Só assim vale a pena viver.
E outra mensagem, às pessoas em geral?
Cidinha – Busquem a liberdade interior, alicerçada na responsabilidade e na crença em valores nobres e construtivos. Desenvolvam de maneira sadia e harmoniosa o seu potencial criador, buscando a felicidade, a realização pessoal, a paz e o amor. Procurem encontrar seu lugar no mundo e colaborem na construção de uma sociedade mais equilibrada. Caminhem com perseverança em direção à realização de seus ideais e coloquem paixão nessa caminhada.