14/05/2010
Sobre a cronista Celinha Villela
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A crônica é vista, pelos veículos que a publicam (jornais e revistas), como um espaço de entretenimento, um “oásis” em meio à aridez e secura das más e tristes notícias que hoje nos sufocam. Situada entre o jornalismo e a literatura, é um misto dos dois: tem como matéria-prima os fatos do cotidiano, sem o compromisso com a objetividade típica do texto jornalístico. Pelo contrário, o cronista usa sua subjetividade, expondo-a com uma linguagem que engloba desde humor e ficção até fantasia e crítica.
A palavra vem do grego “CHRONOS”, que significa tempo. Daí seu caráter de contemporaneidade: comenta acontecimentos de hoje, do dia-a-dia. Acusada injustamente de marginal, periférica do fazer literário, resgatou sua dignidade graças aos grandes cronistas, que a valorizaram e enalteceram, enriquecendo-a com reflexões que vão muito além do cotidiano. Os bons cronistas transcendem o aspecto efêmero das publicações jornalísticas e permanecem como argutos observadores do comportamento humano.
O cronista seleciona, ao ler um jornal ou revista, assistir à televisão, navegar pela Internet, ou sair à rua ou conversar com pessoas, o fato ou notícia que despertou sua atenção e sobre ele discorre, externando sensações de alegria, tristeza, entusiasmo, horror, indignação ou felicidade ante a situação vista ou ouvida.
Essas considerações ocorreram-me durante a leitura de “Cá entre nós”, de Celinha Villela, “flashes”da vida araçatubense e de algumas pessoas que a fazem pulsar com mais intensidade. Novo lançamento está previsto para o próximo dia 9, em Birigüi.
Com um estilo leve e simples, suas crônicas focalizam o cotidiano de Araçatuba e o perfil de alguns de seus cidadãos. A cronista soube, como poucos, apreender os hábitos, as atitudes e o “jeito de ser” da terra dos araçás. São pessoas de diferentes áreas, cada uma com suas peculiaridades, ensejando à autora reflexões e comentários que demonstram sua participação na vida araçatubense e interesse pelos tipos humanos que a rodeiam.
Escrever crônica não é fácil. Exige sensibilidade para captar momentos realmente significativos do cotidiano, capacidade para filtrá-los através do olhar, deixando aberto ao leitor um espaço para que ele também o faça. A cronista não só traduz a seu modo o que vê e ouve, mas também se expõe ao julgamento alheio, externando, a cada observação feita, um traço de seu estilo e de sua personalidade. Requer capacidade de observação, senso crítico e talento para expressar em poucas linhas o que de mais íntimo e profundo há nos seres e no universo. E isso a Celinha faz muito bem.
CIDINHA BARACAT