14/05/2010
COM AMOR E BRILHO
Ensinar é a profissão do professor. Para exercê-la se prepara, trabalha e depois se aposenta, deixando de ser professor. Ou simplesmente abandona a profissão. Vira ex-professor. Educar é missão, de cujo exercício ninguém se aposenta. Não existe ex-educador. Os educadores, diz-nos Rubem Alves, são como as velhas árvores: têm uma face, um nome e uma história a ser contada. Têm raízes fortes, ramos e sombra acolhedores e frutos de sabedoria.
Assim é a Marileide: face que não se esconde, não se esquiva, não desvia o olhar, no qual se reflete o brilho de quem sabe que educar transcende a mera transmissão de conhecimentos. Quem educa é criador, co-partícipe da obra divina no aperfeiçoamento de seres humanos em construção. Na relação com o aluno, Marileide vê nele uma entidade “sui generis”, que também tem uma face, um nome e uma história se fazendo, história da qual ela sempre será personagem.
Suas raízes, um sólido e irrepreensível código de ética, cujos valores e princípios não norteiam apenas sua jornada no Magistério, em que fez carreira marcante e prolífica, mas toda a sua trajetória existencial . Começou no ensino fundamental, no Grupo Escolar de Nova Lusitânia e no Colégio Salesiano. Efetivou-se por concurso como professora de Língua Portuguesa, trabalhando nas Escolas “Francisca de Arruda Fernandes”, “Victor Antônio Trindade” (Industrial) e “Clóvis de Arruda Campos”(Paraisão). Aprovada no concurso para Diretor, assumiu a direção da Escola “Fernando Gomes de Castro”, no Bairro Água Limpa, onde se aposentou. Mas continuou dando aulas, tendo trabalhado no Colégio Nossa Senhora Aparecida e no Colégio Universitário. Há mais de 20 anos, dá-me a honra e o prazer de sua companhia como professora do Centro de Comunicação.
Conheci-a no Curso de Letras da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Instituição Toledo. Desde então, uma grande e sincera amizade nos une. Marileide é daquelas que se pode ficar dez anos sem ver e saber que ela está ali, pronta a nos receber e ajudar. Muito firme em suas convicções, intransigente com tudo que possa violar seus princípios, é a companheira solidária, discreta, leal, prestativa, capaz de compadecer-se e cuidar, com dedicação e afeto, daqueles que ama. Foi assim com a prima Neusa, falecida há pouco tempo. Foi assim na total entrega a cuidar do pai, seu mais amado amigo, e da mãe, dona Juraci, recentemente chamada ao plano espiritual.
Estudiosa incansável e leitora voraz, profunda conhecedora do idioma pátrio, diz lamentar o desapego à leitura que caracteriza a maior parte dos jovens e adultos, de quem sente pena por desconhecerem a beleza, a riqueza intelectual e humana e a consciência crítica que os livros descortinam e ampliam. Inteligente, talentosa e de muito bom gosto, Marileide põe amor e brilho em tudo o que realiza. A história de Araçatuba, no quesito educação e cultura, seria bem mais pobre sem ela. E eu lamento, parafraseando Camões, que para tão brilhante personalidade seja tão curto este espaço.
Biografia
Filha de Juraci Marques Atêncio e João Atêncio, ambos falecidos, Marileide Marques Atêncio nasceu em Araçatuba, no dia 7 de março de 1943. Fez Magistério no IE Manuel Bento da Cruz. Formou-se na 1ª turma de Letras na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Toledo, em 1968. Fez Pedagogia em Pereira Barreto, além de vários outros cursos de habilitação na área de Linguística e Administração Escolar. Lecionou Língua Portuguesa em várias escolas públicas e particulares de Araçatuba e região. Foi diretora da Escola Fernando Gomes de Castro. Mora há 58 anos na rua Humaitá, nº 1008, com seus três graciosos amigos caninos: Nicole, Pierre e Luí.
CIDINHA BARACAT