14/05/2010
S A R A H P E R E I R A B A R B O S A
UM PONTO MARCANTE NO MAPA DE ARAÇATUBA
Em tempos de pré–internet, os alunos aprendiam geografia nos mapas feitos por eles próprios. Em cartolina ou isopor, traçavam-se os rios, delineavam-se as montanhas e os demais acidentes do relevo, e o mundo se descortinava em cores e formas. Tudo sob a competente e rigorosa supervisão dos argutos olhos da professora Sarah, que pareciam perscrutar todos os meandros, saliências e reentrâncias daquele território simbólico. No I E, na TOLEDO e em todas as escolas em que lecionou, essa dinâmica mulher deixou a marca dos valores que sempre a nortearam: a inteireza de caráter, o respeito à natureza e o amor ao trabalho. São de sua autoria as letras dos hinos de Araçatuba e do I E, compostos em parceria com o Maestro José Raab, na década de 70. Escreveu também “Geografia de Araçatuba”e “Memória Histórica”.
De origem humilde e família numerosa (ela e onze irmãos!), nada lhe chegou pelas vias planas e largas do conforto. Na infância, uma carroça era seu meio de transporte para estudar na cidade; mais tarde, já residindo em Araçatuba, dava aulas particulares, utilizando como carteiras os banquinhos que seu pai fabricava. Inteligente e estudiosa, nunca mediu esforços para ampliar seus conhecimentos e dedicar-se ao que sempre fez com extrema dedicação e honestidade profissional: o magistério.
De família evangélica, sempre participou dos trabalhos da Igreja, como digna cristã e crente fervorosa, filha e irmã amorosa, dedicando-se aos familiares com seu elevado espírito de solidariedade e amor ao próximo. Até hoje exerce funções na Igreja Metodista do Jardim Brasília, em Araçatuba, como regente do coral e professora da Escola Dominical. Seu irmão Silas é pastor evangélico.
Um de seus prazeres era pescar com os sobrinhos, embora tivesse medo de minhoca. Logo ela, que conhece como poucos o habitat desses inofensivos anelídeos. No Pontal de Paranapanema, onde residiu, comer carne de cutia era uma festa para a família. Outro de seus grandes prazeres gastronômicos é torresmo frito no fogão de lenha e os bolinhos de polvilho que a cunhada Lourdes lhe prepara com carinho. Esses hábitos singelos refletem sua forma simples de ver e levar a vida.
Dentre os grandes educadores que fizeram a história desta terra dos araçás, dignificando-a e enobrecendo-a com seu trabalho e conduta pessoal exemplar, o nome de Sarah Pereira Barbosa certamente ocupa lugar proeminente. Felizes os que puderam receber dela as preciosas lições que lhes propiciaram entender, amar e respeitar a mãe-terra, com suas belezas, esplendores e riquezas. Na mente e nos corações de seus alunos, ela permanece viva, confirmando as palavras de outro grande educador, Rubem Alves: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia de nossas palavras. O professor, assim, não morre jamais.”
B I O G R A F I A
Nasceu em Cafelândia, em 18 de dezembro de 1934. Filha de Pedro Barbosa Filho e Ruth Pereira Barbosa. Veio para Araçatuba em 1952. Formou-se em Geografia e História na Universidade do Sagrado Coração de Jesus (USC) em Bauru. Cursou Direito e Pedagogia no Centro Universitário Toledo. Fez o curso de mestrado na USC, onde apresentou, como tema de sua dissertação, “Evolução espácio-temporal de Araçatuba.” Organizou os números 1 e 9 da coleção Araçatuba 100 Anos, publicada pela “Folha da Região”. Mora atualmente com a irmã e também professora Geni Pereira Barbosa.
CIDINHA BARACAT