14/05/2010
PERFIL DE UMA DAMA
A elegância no porte, nas palavras, gestos e atitudes revelam a mulher refinada e gentil, a mãe zelosa e a educadora competente e justa que por anos ensinou desenho geométrico no Instituto de Educação Manoel Bento da Cruz e deixou em seus alunos carinhosas lembranças: DONA LAURA!
Não tive o privilégio de ser sua aluna, mas tenho dela as melhores referências, por intermédio de meu marido (que ela chamava de Turco) e de vários amigos que com ela conviveram, dentro e fora da sala de aula. Minha prima Ruth Andrade era sua grande admiradora e sempre a citava como exemplo. Não sei de ninguém que não lhe devote carinho, admiração e respeito.
Nascida em Santos, veio para Araçatuba lecionar no então curso primário, no bairro Traitu. Prestou mais tarde o concurso para a Cadeira de Desenho Geométrico, na qual se efetivou. Casou-se com o Sr. Célio em 1940. Dessa união nasceram os três filhos que já lhe deram dez netos e dezessete bisnetos: João Antônio, advogado e amigo querido, viajou “antes do combinado” para outras plagas; Ana Laura, bonita e elegante como a mãe, assessora com amor e eficiência o marido, Dr. Lycio; Celinho, engenheiro civil, vive numa chácara.
O casal, segundo a filha, nunca brigou, pelo menos na frente dos filhos. Ambos pertencem àquela rara estirpe de pessoas finas, civilizadas e de elevado senso crítico. A mãe foi exigente, amorosa e cônscia da responsabilidade que lhe cabia na educação e formação moral dos filhos. Cuidadosa de sua aparência, ainda hoje não dispensa o colar, o brinco e o saltinho, mesmo em casa. Para sair, acrescenta a bolsa, indispensável acessório de sua impecável figura. A filha segue-lhe o exemplo, afirmando não conseguir ficar em casa de chinelo e penhoar. Aprendeu com a mãe que é preciso estar sempre em condições de abrir a porta e receber alguém, sem causar má impressão. O mesmo acontecia com seu Célio: jamais se sentava à mesa em mangas de camisa ou trajes que considerasse impróprios para a refeição, para ele um sagrado ritual de comunhão e harmonia familiar.
Dona Laura sempre leu muito, hábito que procurou passar aos filhos e netos. Depois de aposentada, dedicou-se à pintura. Fez muitos quadros para presentear familiares e amigos. Além disso, nas horas de lazer dedilhava o piano, em suaves acordes, preferencialmente de músicas francesas.
Em sala de aula, além da competência na matéria, foi sempre amiga dos alunos, tratando-os com muito respeito. Uma grande educadora! Conta a Marileide que certa vez ela fechou a porta da sala e disse aos alunos, em voz baixa: “Nudez é um ato estético, não moral. Já imaginaram um velhinho pelado?!”Usar a palavra nudez em sala de aula, naquela época, era quase um sacrilégio.
Por seu refinamento intelectual, retidão de caráter e elevação espiritual, essa digna representante do magistério araçatubense nos enche de orgulho e gratidão. Que Deus a abençoe, dona Laura, e lhe conceda a graça de comemorar seu centenário envolta em bênçãos de luz, alegria e paz.
BIOGRAFIA
Laura Guimarães de Araújo Cintra nasceu em 17 de novembro de 1909, em Santos, onde fez o Curso Normal .Veio lecionar em Araçatuba, no bairro Traitu. Aprovada mais tarde num concurso para o magistério secundário, ensinou Desenho Geométrico no Instituto de Educação Manuel Bento da Cruz. Casou-se em 1940 com o Sr. Célio Araújo Cintra, pecuarista falecido em 1989. Com ele teve três filhos: João Antônio (falecido), Ana Laura e Célio. Mora em Araçatuba, na Rua Oscar Rodrigues Alves, no Edifício Caravelle, tendo à noite como fiel escudeira a dedicada Lazinha, que há 33 anos lhe faz companhia.
CIDINHA BARACAT